Oração pelas Almas
Nesta caminhada penitencial, reflitamos sobre a nossa purificação que pode acontecer, desde já, se nos abrirmos a vida nova, se vivenciarmos o Reino de Deus aqui na terra para desfrutá-lo no céu. Vivamos o hoje, visando o eterno. Seja em nossa partida, seja na segunda vinda do Senhor, que Ele nos encontre a Sua espera. Nos preparemos dia a dia, pois cada encontro com os irmãos nesta terra, nos conduz ao encontro definitivo com o Senhor.
Elevemos, sobretudo, nossa oração pelas almas do Purgatório. Essa é uma das obras de misericórdia espirituais, por meio da qual, beneficiamos aqueles que, mesmo morrendo na amizade com Deus, ainda necessitam purificar-se para adentrar o paraíso. Rezemos, portanto, por todos os falecidos: amigos, parentes, vizinhos e pessoas desconhecidas. Rezemos também pelos seus familiares para que em sua dor sejam confortados.
Rezar pelos entes queridos é uma prática que conforta os familiares e amigos enlutados, além de beneficiar a alma em sua passagem para o outro plano. Homenagens aos falecidos são uma maneira de aliviar a dor, a saudade e de demonstrar nosso afeto por eles. Porém nenhuma manifestação nossa é maior que a oração destinada a eles. A oração é o elo entre os vivos e os mortos que reafirma nossa fé na Comunhão dos santos.
Nossas orações pelos falecidos, em seu processo de purificação, contribuem para impulsionar sua entrada no céu. A Santa Missa é a atualização do sacrifício de Cristo pela Salvação do mundo. É a expiação por excelência. São Jerônimo afirma que a cada Missa muitas almas são libertas do purgatório.
Mesmo experimentando a limitação e a finitude terrena, o ser humano foi criado para a glória de Deus, para a vida plena no céu. A morte é uma passagem necessária para alcançarmos esse estado de plenitude. Logo morrer não é o fim, mas o começo de uma nova vida. Contudo, infelizmente, a maioria de nós ao morrer não está pronta para ver a face de Deus. O Catecismo da Igreja Católica afirma que o Purgatório é uma “purificação final” a todos os que morrem na graça e na amizade de Deus para chegar ao Céu, mas não estão completamente purificados, embora tenham garantida sua salvação eterna.
Purgatório é, portanto, a sala de recepção do Céu. Sendo assim, não estamos condenados nessa espera, apenas aguardamos o momento certo para entrar no Céu.
Saibamos que, como Igreja peregrina na terra, podemos aliviar as almas dos falecidos que formam a Igreja padecente no estado do Purgatório. Rezar por uma alma do purgatório é também contar com sua intercessão por nós quando ela estiver na glória.
Para avançarmos na fé precisamos refletir sobre o nosso encontro definitivo com o Senhor que chegará um dia. Essa verdade nos impele a busca de santificação. Muitas pessoas desconsideram os valores eternos, firmando sua confiança nas coisas deste mundo e se distraindo com seus atrativos. Tomemos consciência de que nossa jornada terrena nos proporciona muitas oportunidades de descobrirmos o sentido de nossa missão.
“… eu te propus a vida ou a morte, a benção ou a maldição. Escolhe, pois, a vida, para que vivas tu e a tua descendência amando Iahweh, Teu Deus”, nos diz o livro do Deuteronômio (Dt 30,19-20a). As escolhas feitas nesta vida, determinam para onde iremos. “Com efeito, que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e arruinar a sua vida?” nos diz Jesus (Mc 8,36). Não ignoremos as realidades eternas, buscando apenas os prazeres carnais e desconsiderando a vida no espírito. Escolhamos a vida nos convertendo.
