Campanha da Fraternidade

Nesse dia penitencial o Senhor nos convida a refletir sobre a Campanha da Fraternidade cujo tema é “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós”.

Seguindo os passos de Jesus, queremos olhar e nos aproximar da realidade de tantos irmãos e irmãs que sofrem com o desemprego, renda insuficiente, conflitos familiares, violência doméstica, dependência química e problemas de saúde mental. Essas situações estão ligadas a crise econômica que gera o aumento da pobreza e uma grande desigualdade social.

Em cada irmão que sofre vemos a face do Cristo sofredor. De modo particular as pessoas em situação de rua, vítimas de preconceito, julgadas com o rótulo de vagabundagem, preguiça, dependentes da assistência social. Pessoas marginalizadas, tidas como inúteis para a sociedade. Embora vistas como indesejáveis, sujas, feias e malvadas, elas também são filhas amadas de Deus.

Peçamos, portanto, perdão a Deus, por esse pecado social da indiferença em relação a essas situações que assolam a humanidade. Peçamos a Jesus, manso e humilde de coração, para que tenhamos a humildade e a mansidão, a fim de nos aproximarmos e acolhermos a estes irmãos menos favorecidos.


O Documento de Aparecida aponta para a pouca importância que damos para a opção preferencial pelos pobres. O Papa Francisco insistia por uma “Igreja em saída”. No entanto, muitos são os obstáculos para uma presença mais efetiva da Igreja Católica nas periferias.

Mesmo assim, a Igreja Católica se preocupa com a realidade urbana e periférica, e se mobiliza por meio de estudos, com as Diretrizes da ação evangelizadora e de reflexões sobre a falta da moradia digna para milhões de brasileiros, além da formação da Pastoral da Moradia.

A partir da temática da moradia, reflitamos que Jesus ao nascer experimentou a falta de teto junto a Sua Sagrada Família. Depois, experimentou a condição de imigrante na fuga para o Egito em busca de um lugar seguro. E, por fim, na sua vida adulta, não teve onde reclinar a cabeça.

A Igreja somos nós, imagem e semelhança de Deus. Portanto, escutemos o apelo de nosso Mestre e Senhor que, no Mistério da Encanação, veio morar entre nós e se encontra presente em cada irmão e irmã.


No Antigo Testamento, o direito à moradia incluía também a garantia de viver com dignidade, no espaço onde era possível estabelecer vínculos de fraternidade e sobreviver economicamente por meio do trabalho.

Esse direito foi muitas vezes negado, por isso os profetas denunciavam e anunciavam maldições e total destruição àqueles que, para manter seu luxo com casas de marfim de verão e de inverno, exploravam os indigentes que não tinham onde morar.

Em cada época, a Igreja age de forma profética. Ela é alicerçada na Palavra de Jesus que disse: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância.”

A Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, deve se comprometer de forma autêntica com a defesa da vida em todas as dimensões por meio de atitudes concretas de cuidado, visando garantir uma vida digna para todos. “Nossa fé não se finda no altar”; mas no altar ela se revigora para que possamos, à luz de Cristo, partir para a missão.


Somos convocados nesta Campanha da Fraternidade a deixar-nos tocar pela compaixão de nosso Deus, debruçando-nos sobre as feridas humanas causadas pelas dificuldades que envolvem a questão da moradia.

Apesar da imensidão do país, grande parte do nosso povo é obrigada a viver em moradia indigna ou até mesmo sem teto. Os movimentos populares defendem que a moradia é a porta de entrada para todos os demais direitos, porque é um aspecto central na vida de uma família.

Em sua jornada nesta terra Jesus não tinha endereço, não tinha onde reclinar a cabeça. No entanto Ele era recebido em várias casas como a dos irmãos Lázaro, Marta e Maria que representam a comunidade acolhedora.

Jesus não tem endereço, porque Ele quer morar em cada um de nós; quer estejamos numa casa luxuosa ou deitados no banco da praça. Cada um de nós é morada de Cristo. Sendo assim, acolhamos Jesus em nossas vidas para que possamos agir como Ele.